sábado, 12 de abril de 2014

Nunca busque reconhecimento


Uma bela reflexão a todos neste caminho sinuoso da Arte, ainda mais para aqueles que buscam desesperadamente por um grupo ou coven.

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"Os pais, os professores estão sempre enfatizando que você precisa obter reconhecimento, aceitação. Isso é urna estratégia muito astuciosa para manter as pessoas sob controle.


Aprenda uma coisa fundamental: faça aquilo que você gosta de fazer, adora fazer. E nunca busque reconhecimento; isso é mendigar.

Por que a pessoa deveria buscar reconhecimento? Por que alguém deveria desejar ser aceita?

Olhe bem para dentro de si mesmo. Talvez você não goste do que faz; talvez esteja receoso de estar no caminho errado. Talvez, por isso, procurar obter aceitação o ajude a sentir que está certo. É possível que você ache que o reconhecimento o fará sentir que está buscando o objetivo correto.

O problema é com seus próprios sentimentos íntimos; ele não tem nada a ver com o mundo exterior. E por que depender dos outros? Todas aquelas coisas dependem dos outros — e você mesmo está tornando-se dependente.

Não aceitarei nenhum Prêmio Nobel. Toda crítica que tenho recebido de todas as nações do mundo, de todas as religiões é mais valiosa para mim! Aceitar o Prêmio Nobel significa que estou tornando-me dependente — não terei orgulho de mim mesmo, mas do Prêmio Nobel.

Contudo, neste exato momento só posso sentir orgulho de mim mesmo; não há nada de que eu possa orgulhar-me. Neste último caso, sim, você se torna uma pessoa.

E ser uma pessoa que vive em total liberdade, que caminha com os próprios pés, que bebe das próprias fontes, é o que a torna realmente firme, segura. Isso é o começo de seu florescimento máximo como criador.

Aqueles a que se têm como figuras reconhecidas, renomadas, são pessoas atulhadas de lixo e nada mais. Mas o lixo que as enche é aquele com o qual a sociedade quer que elas fiquem cheias — e a sociedade as recompensa dando-lhes prêmios. 

Qualquer pessoa que tenha a mínima consciência da sua individualidade vive movida pelo seu próprio amor, seu próprio trabalho, sem se importar infimamente com o que os outros pensam dele.

Quanto mais valioso o seu trabalho é, menor a chance de você obter respeito por ele. E quando seu trabalho é o de um gênio, você não obtém nenhum respeito durante a vida. Você é condenado enquanto ela dura... depois, passados dois ou três séculos, fazem estátuas de sua pessoa, seus livros são respeitados — pois são necessários dois ou três séculos para que a humanidade entenda a grandiosidade do gênio. É grande o abismo entre ele e a capacidade de entendimento dela.

Para ser respeitado pelos idiotas, você tem que se comportar à maneira deles, de acordo com as expectativas deles. Para ser respeitado por esta humanidade doentia, você tem que ser mais doentio do que ela. Assim, ela o respeitará. Mas o que você ganhará com isso? Você perderá sua alma e não ganhará nada."

Osho, em "Criatividade - Liberando Sua Força Interior"

terça-feira, 16 de julho de 2013

Religiosidade é Diferente de Religião (Osho)


Encontrei um texto que me fez refletir muito há um tempo atrás. Em meio a uma witch war esse texto, mais a palavra de alguns, me trouxe de volta ao meu foco... vale a pena ler.

"Se a religiosidade se espalhar por todo o mundo, as religiões desaparecerão. E será uma enorme bênção para a humanidade quando o homem for simplesmente homem, nem cristão, nem muçulmano, nem hindu.

Essas demarcações, essas divisões, têm sido a causa de milhares de guerras ao longo da história.

Se você revir a história do homem, não poderá resistir à tentação de dizer que vivemos no passado de uma maneira insana. Em nome de Deus, em nome das igrejas, em nome de ideologias que não têm evidência alguma, as pessoas têm matado umas às outras.

A religião ainda não aconteceu no mundo. A menos que a religiosidade se torne o próprio ambiente da humanidade, não haverá religião.

Mas eu insisto em chamá-la de religiosidade para que não se torne organizada.

Você não pode organizar o amor. Já ouviu falar em igrejas de amor, templos de amor, mesquitas de amor? O amor é um caso individual com outro indivíduo. E religiosidade é um caso de amor maior do indivíduo em relação ao cosmos.

Quando um homem se apaixona pelo cosmos, pelas árvores, pelas montanhas, pelos rios, pelos oceanos, pelas estrelas, ele sabe o que é oração. É inexprimível... Ele conhece uma profunda dança em seu coração e uma música que não tem sons. Ele experimenta pela primeira vez o eterno, o imortal, aquilo que sempre permanece em qualquer mudança, que se renova.

E qualquer um que se torne uma pessoa religiosa e abandone o cristianismo, o hinduísmo, o islamismo, o jainismo, o budismo, declara pela primeira vez sua individualidade

Religiosidade é um caso individual; é uma mensagem de amor de você para o cosmos. Só então existirá uma paz que ultrapassa qualquer mal-entendido.

Como não é assim, essas religiões têm sido parasitas, explorando as pessoas, escravizando-as e forçando-as a acreditar.

Todas as crenças são contrárias à inteligência, e forçam as pessoas a orar com palavras que não têm sentido, porque elas não vêm do coração, mas apenas da memória."


Osho, em "Religiosidade é Diferente de Religião: Ensinamentos de Osho para um Mundo em Paz"
Publicado no blog palavras de Osho

segunda-feira, 15 de julho de 2013

As Diferenças entre Hades e Plutão

"Saturno, pai da Eternidade, Filho de Gaia e Urano, o céu, povoado de estrelas. Fonte primeira, Titã indestrutível, potestade favorável, onipresente sobre todo o orbe, seja propício a nossos desejos, e dê a nós, mortais, um final feliz às nossas vidas." 
Hino Órfico para Saturno.



A relação entre Hades e Plutão é um pouco mais complicada do que a simples associação entre um deus grego e sua contraparte romana. Os gregos antigos não gostavam muito de Hades - o invisível - tanto que eles evitavam mencionar o seu nome - e não consigo imaginar o porquê. Bem, ele era o deus do submundo e passou seu tempo entre os mortos, mas ainda assim, não há nada de assustador ou cruel em Hades, muito pelo contrário, ele era um governante justo e confiável, e tem um nome ruim só porque ele não tinha o hábito de permitir que as pessoas deixassem o seu reino e voltassem para a terra ... que, colocando as coisas em perspectiva, parece justo o suficiente para mim.

Ainda assim, os gregos sempre imaginavam o chamativo Zeus ou Poseidon contra Hades, o confiável e justo, de modo que o deus dos mortos nem sequer têm mitos de sua autoria. Ele é apenas mencionado na história de como Perséfone foi raptada - que pertence ao ciclo de lendas relacionadas com Deméter - e em outra história em que Hércules desce ao Inferno, ferindo Hades no processo. É claro que esta segunda história pertence ao ciclo de lendas relacionadas com Herakles - deixando o pobre Hades com muito pouco a dizer para si mesmo. Ele fez algumas aparições nas histórias que envolvem todos os deuses, como a batalha contra os titãs - mas essas não contam, não é?

Ainda assim, toda a vez que os gregos tinham de mencionar Hades, e quando isso acontecia, eles preferiram usar um eufemismo, em vez de seu nome real, e um dos apelidos mais favoritos era Pluton - que significa "o rico" - que mais tarde foi latinizado e tornou-se o Plutão (Pluto) que conhecemos hoje. Agora, Hades / Plutão foi de certa forma o deus das riquezas, especialmente aquelas que vinham do subterrâneo - prata, ouro e pedras preciosas. Além disso, durante o inverno, as sementes das plantas, por se desenvolverem no subterrâneo, estavam no cuidado de Hades e, especialmente, de sua esposa, Persephone / Prosepina. Por estas razões, esses dois deuses eram muitas vezes representado com uma cornucópia, símbolo da abundância e riqueza, e, na tradição clássica, também um símbolo de Deméter, mãe de Perséfone.

Agora, Plutão o rico, não deve ser misturado com Ploutos, deus das riquezas ... bem, as semelhanças são impressionantes, então vamos falar um pouco sobre este Ploutos. Ele era o filho de Deméter, e, inicialmente, um companheiro de sua mãe e irmã (a irmã sendo Perséfone, caso você tenha perdido a noção de parentes). Como a sociedade evoluiu, a riqueza aumentou, e Ploutos ganhou o direito de se tornar um deus próprio, e não apenas um mero companheiro. Mas a responsabilidade teve um preço, e Zeus o cegou, para se certificar de que ele não viu que os seres humanos eram bons e quais eram ruins - e, portanto, riquezas foram distribuídas a todos, de forma aleatória, e não com base em seus méritos. Viu? Nada a ver com o justo Hades / Plutão, que distribuiu recompensas e punições de acordo com os méritos e ações feitas em vida.

Antes de se tornar Plutão, o deus latino dos mortos era Dis Pater - o pai de todas as riquezas - uma divindade agrária. Houve também um deus etrusco Orcus nomeado, originalmente governante do submundo, que foi posteriormente rebaixado para carrasco das pessoas que quebraram seus juramentos. Acidentalmente, Orcus pode ser a raiz que levou à palavra orc.

Fonte: Ancient Links
Detalhe da Imagem: O Rapto de Prosérpina, século XVI, Niccolo dell' Abbate (1509-1571)